
Boletim Económico, Banco de Portugal, março de 2026
A percentagem de trabalhadores estrangeiros no emprego por conta de outrem continuou a crescer, fixando-se em 17,6%, em média, nos três primeiros trimestres de 2025, o que compara com 16,4% em 2024 e 5,9% em 2019. Este crescimento é assinalado como relevante para a manutenção do dinamismo da criação de emprego, num contexto de redução da população nacional em idade ativa e de escassez de mão-de-obra em setores específicos da economia.
Os dados revelam, no entanto, um abrandamento do emprego associado à redução do contributo dos trabalhadores migrantes, com destaque para os países do Sul da Ásia (Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão) assim como do Brasil. Reduções apenas parcialmente compensadas pelo aumento na participação de trabalhadores dos PALOP. Esta evolução estará relacionada com a adoção de uma política migratória mais restritiva bem como com o abrandamento da atividade económica em setores que tinham registado um forte crescimento após a pandemia COVID 19.
Entre 2010 e 2024 é bem evidente o crescimento do número de trabalhadores estrangeiros e o seu contributo, comum total de 1,4 milhões de entradas, das quais 1,2 milhões desde 2018 (com base nos registos da Segurança Social). Aproximadamente 38% das entradas de estrangeiros em Portugal corresponderam a cidadãos do Brasil, seguindo-se os países do sul da Ásia — Índia, Bangladesh, Nepal e Paquistão — com cerca de 19%, e os dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP), com 14%. Os cidadãos da União Europeia ou Reino Unido representaram também 14%. Os principais sectores de atividade de integração de trabalhadores estrangeiros foram: as atividades administrativas e dos serviços de apoio (20%), o alojamento e restauração (18%), a agricultura e pesca (15%), e a construção (14%). O comércio representou 10% das entradas e a indústria cerca de 7%.
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Sónia Pereira, Consultora Relational Lab

