Saltar para o conteúdo principal
Carrinho

O carrinho está vazio

Adicione livros para começar.

Relational Lab
Voltar ao blog
Digital & Relacional

Sociedade sem ecrãs, de Joaquim Fialho

Rui Marques

Rui Marques

Diretor Executivo, Relational Lab

Jul 2026

Joaquim Fialho lançou recentemente o livro “Sociedade sem ecrãs” que merece uma leitura atenta.

De uma forma estruturada e consistente o autor analisa criticamente o impacto dos dispositivos digitais na vida humana. O título pode enganar, pois não se trata de uma perspetiva tecnófoba, mas sim uma visão consciente da necessidade de compreensão destes impactos e da urgente necessidade de auto-regulação individual e colectiva.

A ideia fundamental do livro é que a tecnologia digital não se limita a facilitar atividades que já realizávamos. Ao mediar uma parte crescente da nossa existência, altera a forma como prestamos atenção, pensamos, sentimos, nos relacionamos e percebemos o mundo.

Vivemos, assim, não apenas rodeados de ecrãs, mas progressivamente “dentro” deles. O problema não é a sua existência, mas o lugar desproporcionado que passaram a ocupar e a dificuldade crescente em interromper essa mediação. A questão decisiva formulada pelo autor pode resumir-se deste modo: como recuperar presença, autonomia e relações humanas significativas num mundo cada vez mais organizado através de ecrãs?

Escolhemos algumas citações  relevantes desta obra, como forte incentivo à sua leitura completa.

“Em última análise, a Internet que nos ligou também nos afastou, porque transformou a relação num fluxo contínuo de sinais, substituindo a presença pela conetividade. Recuperar o valor das relações presenciais não implica rejeitar a tecnologia, mas recolocá-la no seu lugar de meio e não de fim. As interações digitais podem enriquecer a vida social quando complementam o encontro humano, mas empobrecem-na quando o substituem.

Num mundo saturado de imagens, mensagens e likes, talvez o gesto mais radical seja reaprender a estar presente, a ouvir sem distrações e a reconhecer no outro não um perfil, mas um rosto. “ (p. 149)

“Vivemos rodeados de notificações. Sons, vibrações, ícones luminosos e alertas visuais atravessam o quotidiano como pequenos choques que interrompem o fluxo da experiência. O seu impacto vai muito além de simples interrupções funcionais: as notificações tornaram-se um dos principais organizadores invisíveis da atenção, do tempo e, em última instância, da forma como vivemos. A influência dos equipamentos tecnológicos nas nossas vidas manifesta-se, assim, numa fragmentação progressiva da atenção e numa aceleração constante do ritmo de vida, criando uma cultura marcada pela urgência, pela dispersão e pela dificuldade em sustentar a presença prolongada no mundo.

Vivemos sem tempo. Orgulhamo-nos disso. Erradamente. A escassez de tempo passou a ser um símbolo de estatuto, produtividade e relevância social. Estar ocupado tornou-se sinónimo de ser necessário.” (p. 159)

“A chamada Era Sem Contacto não se carateriza pela ausência de interação, mas pela perda de profundidade do contacto humano. O desafio que se coloca às famílias contemporâneas não é eliminar os ecrãs, mas recuperar a centralidade da presença, do olhar e da escuta. Reaprender a estar juntos, não apenas no espaço, mas na relação. Porque sem contacto, mesmo rodeados de pessoas, tornamo-nos profundamente sós.” (p. 185)

“Comparar é a palavra de ordem. As redes sociais «são máquinas de comparação. Exploram, habilmente, uma tendência muito humana: avaliar-se em relação aos outros. Enquanto humanos, comparamos, constante-mente, as nossas vidas às dos outros. Comparamos onde estamos na vida, se alcançámos o suficiente, se ganhamos dinheiro suficiente, se temos amigos suficientes e se temos as coisas certas em casa. Comparamos o aspeto dos nossos corpos com o dos outros. Conscientemente, quando vemos o outro como um modelo a seguir ou inspiração para onde gostaríamos de estar ou ser.“ (p. 189)

“Não basta ensinar a usar melhor a tecnologia ou a gerir notificações. É necessário reconstruir as condições sociais, emocionais e corporais que tornam a dependência menos provável. O bem-estar digital começa fora do ecrã: na qualidade dos vínculos humanos, na possibilidade de silêncio, na escuta do corpo, no fortalecimento das comunidades e na valorização da presença partilhada. Onde há relações significativas, o ecrã deixa de ser refúgio; onde há corpo vivido, o estímulo constante perde o seu poder hipnótico.” (p. 258)

Disponível na Wook clicando aqui https://www.wook.pt/livro/sociedade-sem-ecras-joaquim-fialho/33481872?srsltid=AfmBOopBEtY2K6wSLG3mmTfz931bKBQTAR7rE3XjfYpY1utUhnJKLK5_

Partilhar
Rui Marques

Autor

Rui Marques

Diretor Executivo, Relational Lab

Newsletter

Fique a par

Novidades, eventos e recursos do Relational Lab na sua caixa de entrada.