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Relational Lab
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Qualidade Relacional

A força de um olhar

Rui Marques

Rui Marques

Diretor Executivo, Relational Lab

Jun 20263 min de leitura

Bert Daelemans, jesuíta, arquiteto e poeta da imagem, escolhe trinta fotografias do século XX e descobre nelas o que nos define como seres relacionais. «Escritas en luz» é um fotoensaio que mostra, com uma sabedoria de poeta, como o relacional nos constitui.

Descobri por estes dias um livro — Escritas en luz — e um autor — Bert Daelemans — que me têm fascinado. A partir de um estilo pouco comum — o fotoensaio — o autor escolhe trinta fotografias notáveis, de grandes fotógrafos do século XX, e organiza-as por "Olhares", "Moradas" e "Muros", interpretadas por magníficos textos seus.

Bert é jesuíta, arquiteto, engenheiro e pianista mas, acima de tudo, revela-se como um atento observador da essência humana. Descobre nas fotos o revelado e o por revelar, com uma sabedoria de poeta. Em tudo, em cada momento, mostra como o relacional nos define.

Elliot Erwitt — Mãe e filha, Nova Iorque, 1953 · © Elliot Erwitt / Magnum Photos
Elliot Erwitt — Mãe e filha, Nova Iorque, 1953 · © Elliot Erwitt / Magnum Photos

Escolho um excerto dos seus textos sobre uma fotografia lindíssima de Elliot Erwitt — «Mãe e filha», Nova Iorque, 1953:

Esta fotografia define o ser humano, visualmente, como relação. Ninguém pode subsistir fora da relação. Existimos no olhar: não somos indivíduos, mas pessoas. Ou seja, seres olhados.

Bert Daelemans — Escritas en luz, p. 39

«(…) Tudo começa com um olhar benevolente, um olhar que deseja o melhor para ti, um olhar que acredita em ti, que te estima e que, ao olhar-te, sente nascer a esperança. Sem dúvida, a mãe e a filha absorvem-se mutuamente e escutam-se em silêncio, aquele silêncio de que Henry David Thoreau diz ser a única coisa digna de ser ouvida. E Maurice Maeterlinck observou, com grande sabedoria: «Aquilo de que mais te recordarás de um ser que amaste profundamente não serão as palavras que disse nem os gestos que fez, mas os silêncios que viveram juntos.» Em silêncio, sob o olhar algo inquietante do gato preto, a mãe e a criança oferecem-se uma à outra através do olhar. Há olhares que bebem, que te bebem e nos quais te deixas beber. Há olhares de mãe que te devolvem uma infância ampla e despreocupada. Há sorrisos que são simultaneamente causa e efeito, dádiva e resposta, leveza e consolo.»

Este livro é imperdível. E mostra bem o porquê do nosso foco relacional.

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Rui Marques

Autor

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Diretor Executivo, Relational Lab

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